! […] muito triste; querendo e lutando pra ficar feliz!

09.jul.11

prometi a João Ubaldo Ribeiro que não iria chorar, e não chorei [pelo menos tentei]. enxuguei as lágrimas e me pus a de volta no meu lugar: a leitura!

– . –

mas antes:

no caminho de volta pra casa, de novo a mesma e velha Dutra. não consigo parar de olhar para os pneus dos carros ao lado, olho pra me distrair e não fitar os olhos de meu filho que do volante não desgruda as mãos; que da estrada, fita só o que se pode ver, mais carros. que de trás das lentes dos óculos escuros, deixa escapar uma lágrima, sei que seu olhar é no trânsito, mas, sei também, que seu coração tá olhando o que já se sabe e está nas alturas. ou talvez ainda não!

adeus “Dutra”, assim espero.

se fosse de ônibus, talvez eu tivesse entrado na frente do motorista, mas foi de avião e essa coisa de dizer que nem tudo é exatamente como a gente quer pode até parecer refrão de música, que por certo é. entretanto, foi roubada de um pensamento mais forte, o amor que temos por quem, mesmo que momentaneamente, nos deixa pra trás.

[ 15h07, tô sentada na janelinha 😀 ]

agora não dá mais pra entrar na frente do “motorista”, parar o avião e dar marcha ré no busão.

em casa, penso que eu só queria mesmo era achar meu canto nesse mundo. neste momento queria uma lembrança de um canto ou caminho que se tornasse nossa referência de passeio. nós de mãos dadas, sabendo como dividir o prazer e o pesar. queria escrever sem me arrepender depois do que eu mais quero te dizer, e na hora do seu embarque não o disse… agora, escrevo e choro.

[tá eu sei… disse que não iria chorar, mas eu não sou de aço]

e sei que vou sorrir depois de ler tantas besteira e nenhuma palavra dita. fiquei aqui com as minhas palavras, com o seu olhar, meu coração nas mãos e as lágrimas de seu irmão na mente.

ficamos, como já aconteceu algumas vezes, ficamos procurando respostas e saibamos que não iriamos desistir até achar as tais respostas.

como não consigo ser uma pessoa normal, que pensa antes de falar, que se expressa pra construir e não para destruir, vou tentar ficar só na reflexão: como é que se diz para alguém não vá!

que fique.

fique, que aqui é o seu lugar. se nem sei qual aqui, é meu o lugar. aprendi a dizer eu te amo, da mesma maneira que apendi a dizer to com fome; te ensinei dizer “amo amar você, amor”, antes que dissesse “quero comer”. mas não te ensinei a me dizer adeus, e assim, sempre fica faltando algo em nossas despedidas. essa eu espero que seja só um até breve!

– . –

… Como, nos dias mais frios, seus esguichos se aglutinam em gotinhas vaporosas que viram rodas de arco-íris contra a luz, acha o povo que as baleias noivas constroem assim suas grinaldas e anunciam às outras o casamento. E de repente cantam ele e ela juntos, cabriolam na espuma, escabujam de barriga para cima, rolam, desaparecem, emergem outra vez e outra vez desaparecem, disparam rolando e se abraçando, afundam e, lá no fundo, já se querem tanto que não se contêm. Revirada perto dele, ela se queda admirada diante da grande pilastra colorida que se apresenta como um mastro festeiro das dobras da barriga dele, suas próprias dobras se entreabrem em vermelhos, roxos, brancos e violetas latejantes e é assim que, um maremoto agitando as ondas, uma corcova subindo no meio da baía, uma crista de água fibrilando velozmente, eles prorrompem do fojo do mar desta vez juntos, colados e enlaçados cara a cara, suas músicas transfiguradas em guinchos e risos, as grinaldas vibrando com as novas gotas.

[…]

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